Esteriótipo fora do habitat

Camiseta – Respira/Inspira – um cigarrinho de palha baseado na mão, uma bicicleta como meio de transporte, rosto com a pele de pergaminho, queimado de sol, de sujeira, de anos… não fazia por merecer seus menos de 35.

Onde ia tão cedo, tão desarrumado e descabelado, por que chegar chapado?

Bicho-grilo, na muvuca entre o Jardim Botânico e a Lagoa?

Sério, esse rapaz esta perdido, está fora do seu habitat, – logo ali tem uma patrulha da polícia, será que vão pará-lo, e estragar a manhã de quarta feira do rapaz?

Um rapaz, um porteiro  – a julgar pela roupa (impecavelmente passada, com vinco e tudo, parecia engomada!), no bairro típico carioca, de características fascinantes, numa esquina, entre a praia e a rua Prado Júnior; passeando com um yorkshire terrier. Tamanho 1 – pelos escuros, coleira vermelha, guia também.

Volta para o rapaz… ele sonha em ser acompanhante de cães em exposições de raças; de costas ortopedicamente eretas, o antebraço dobrado a 90º perfeitos em relação ao braço – a guia reta, retinha, sem puxar o cãozinho, que se esgueira na parede para tentar fazer um xixi! É macho… e o sinal abre e perco de vista os dois.

Deixo pra trás o porteiro sonhador – impecável – e o cãozinho que não tria a menor chance num concurso. Cachorro visivelmente amado, bem cuidado, passeando cedinho na calçada de cá da beira-mar.

Imagem

 

O “préstimo” de não ter pressa é olhar pro mundo com atenção.

Trancada no carro, com música alta, ar-condicionado e óculos (míope como eu… sem ele nada disso seria possível);

Observar as pessoas na calçada, andando rápido ou devagar, dá vontade de por em palavras os pensamentos…

Criativos ou inventados que brotam para cada uma das pessoas que passam por mim, histórias criadas para meus personagens musos e suas vidas corriqueiras, vou comentar, apontar, inventar, romantizar, dramatizar … contar!

Tudo começou com uma conversa no carro, a caminho de um fim de semana prolongado, graças ao feriado para os cariocas da estadia do Papa Francisco… Estamos a caminho do nosso descanso quando a criança manda a seguinte: “o mundo dá medo”.
Entendi  na hora, ela está começando a perceber que vive numa bolha. E resolvemos explicar que “bolha” é essa.

É toda proteção que a família cria para os filhos… Minha filha não assiste novela nem jornal, programas que pra mim são precursores ou lente de aumento de toda maldade que existe na sociedade — mas escuta falar das notícias… Que são comentadas no dia—a—dia, não vejo porque expor antecipadamente assuntos alarmantes.

Com o papo rolando no carro, explicação vem e vai, lembro a ela que o jogo do Mário Bros. não é nem justo nem perfeito para o jogador, várias vezes fazemos tudo direitinho e caímos num buraco ou de uma plataforma só porque estamos 0.1 milímetro fora da base. Disso ela entende, e lembra quando o Bowser mesmo morto atira uma bolinha de fogo e mata o Mário no fim da fase.

Explicamos então que o mundo não são só flores, que eu e o papai criamos uma bolha, como um escudo para protegê—la o máximo possível, mas infelizmente as informações, antes alheias ao seu mundinho, estão se aproximando e se tornando mais visíveis.

Então o papai manda a: “cada vez que você sai, mesmo com a gente, a bolha diminui. Estamos sempre correndo riscos”.

Digo então que a nossa função é essa, de proteger… Que já vivemos nessa bolha, e que no futuro espero que ela seja a provedora desse escudo para os meus netos.

Podemos até estar errados, mas como pais temos o direito de errar por excesso. E acho que estamos fazendo direito.

Só não posso mais me enganar, ela está crescendo, rápido, e preciso prepará—la, e ainda mais estar preparada para o que vier!

Preciso confessar amor, mais da metade das coisas que digo que não sei onde estão na verdade joguei fora!

E ainda vou dar uma desculpa e usando a sua ausência… toda vez que você viaja me dá uma ansiedade louca que me transforma em faxineira, e essa faxineira é preguiçosa  a “dona” da casa e joga muita coisa fora! E pior que não faz ideia do que foi realmente pro lixo e o que foi guardado… e você já sabe que quando eu guardo alguma coisa é impossível realmente difícil achar sem uma nova faxina.

Você deve estar se perguntando se isso tem haver com o tripé desaparecido… e vou ser ainda mais sincera, não sei, não me lembro, mas provavelmente sim!

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